11 de março a 11 de maio — 2026 | Sala Berlenga (ESTM)
Inauguração da exposição: 17 de março, 15h00
“Esta exposição é composta por um conjunto de ilustrações que foram criadas para a edição comemorativa do centenário da primeira edição do livro ‘Os Pescadores’, de Raul Brandão. Esta obra é uma viagem pela paisagem costeira, pelas suas gentes, as suas vidas no mar e fora dele, é sobre o quotidiano e o memorável, mas especialmente sobre a cor dos dias junto ao mar desde a neblina ao pôr-do-sol. Num outro livro li, que quando andamos à procura das paisagens que outros visitaram em tempos, há uma coisa que não muda, mesmo que no território já não haja referência do que temos em fotografia ou escrito, e essa coisa é a luz. Ao ler as palavras e descrições de Raul Brandão foi sobre esta luz que associei de imediato as fotografias de Artur Pastor, numa viagem de 30 anos da escrita às imagens, na mesma busca de referências, encontrei os lugares descritos e gosto de pensar que secretamente posso ter encontrado algumas pessoas que se possam ter cruzado com ele, e estas ilustrações são portanto a ligação ao dia de hoje numa tentativa de que sintam vontade de ir descobrir os lugares, e que como eu os visitem para ver essa luz que nunca muda!”
Marta Nunes
“Brandão registava a realidade apelando a uma outra que se haveria de construir, mais justa, mais fraterna.No centenário da obra Os Pescadores não nos poderá satisfazer apenas o conhecimento, registo e análise da realidade concreta. Há que conferir futuro à realidade que existe. Há que conhecer por dentro para melhor transformar. A incapacidade de transformar parece ter sido a grande angústia do autor. Neste centenário de uma outra tão emblemática, não podemos alienar-nos desse sonho transformador, concretizando-o.”
João Delgado
“Quando regresso do mar venho sempre estonteado e cheio de luz que me trespassa. Tomo então apontamentos rápidos – seis linhas – um tipo – uma paisagem. Foi assim que coligi este livro, juntando-lhe algumas páginas de memórias. Meia dúzia de esboços, afinal, que, como certos quadrinhos ao ar livre, são melhores quando ficam por acabar.
Estas linhas de saudade aquecem-me e reanimam-me nos dias de inverno friorento. Torno a ver o azul, e chega mais alto até mim o imenso eco prolongado… Basta pegar num velho búzio para se perceber distintamente a grande voz do mar. Criou-se com ele e guardou-a para sempre. – Eu também nunca mais a esqueci…”
Raul Brandão, Os Pescadores
FICHA TÉCNICA
Autoria: Marta Nunes
Produção: Sabina Silva (Gabinete de Programação e Difusão Cultural — Politécnico de Leiria)
Design gráfico: Francisco Moreira (Gabinete de Programação e Difusão Cultural — Politécnico de Leiria)
Agradecimentos: Editora Página a Página, Mútua dos Pescadores